Queridos irmãos e irmãs,
É Advento, tempo de preparação para a vinda do Senhor. Deve ser um tempo santo, um tempo que sana. A vinda do Senhor começa com um “sim” corajoso, o “sim” duma mulher: Maria. Faça-se em mim segundo a tua palavra.
Há poucos dias, a 25 de novembro, celebrou-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Em todo o mundo, inúmeras mulheres são maltratadas e até mortas, 60% delas pelos próprios maridos ou por familiares próximos. Não podemos aceitar isto — não como seres humanos, e muito menos como cristãos.
O Advento chama-nos à conversão e à vigilância — de forma muito concreta, também nesta questão. Precisamos de conversão, onde nos tornámos culpados também nós. E precisamos de vigilância para que a violência não tenha mais oportunidade.
Muitas mulheres que sofrem violência não falam sobre isso. É preciso realmente muita coragem para dar voz ao indizível. Aliás, não é só a mulher que precisa de ajuda — ambos precisam. Mas, primeiro, é necessário que a violência seja travada. Muitas vezes isso só é possível através da separação e da distância física.
Podem existir várias causas para a violência contra as mulheres, mas uma causa é certamente, muitas vezes, a identidade frágil do homem. Para os homens, no desenvolvimento psicológico, é um pouco mais difícil do que para as mulheres chegar a uma identidade madura, pois têm de a construir em relação — e em diferenciação — à identidade feminina da mãe. Alguns homens passam a vida inteira a procurar afirmar-se contra a mulher. O machismo é expressão dessa busca desesperada. Mas estes homens fazem-no não apenas como indivíduos, mas também em grupo. Isto gera, não raras vezes, uma cultura misógina, isto é: contra as mulheres.
Também a Igreja se torna, em parte, cúmplice deste clima hostil às mulheres, por exemplo, quando alguns sacerdotes que têm a mesma dificuldade se aliam a atitudes machistas e rebaixam as mulheres. Isso não é sinal de força, mas sim de fraqueza.
As mulheres não são maltratadas e mortas por homens fortes, mas por homens fracos. Por isso é tão complicado. Se estes homens fossem fortes, reconheceriam o problema e procurariam ajuda. Mas homens fracos não o conseguem fazer, porque isso os faria sentir ainda pior
Por isso, hoje deixo um apelo à Comunidade: não é vergonha ser fraco e precisar de ajuda! Não é injusto denunciar um ato de violência. Só assim a violência pode ser travada. Se sofre de violência ou se a exerce, tenha coragem e procure ajuda! A violência não é solução. – Quero terminar com uma oração.
Oração
Espírito de Deus, a violência contra as mulheres é violência contra a vida e contra a humanidade. Damos-te graças pelas mulheres corajosas que ergueram a voz contra a violência, a desigualdade e o abuso. Fortalece quem luta por um mundo melhor. Ajuda-nos a ser uma geração que defenda quem não tem voz e que nunca se canse de trabalhar pela justiça. Ajuda-nos a aproveitar este tempo de Advento para dar alguns passos concretos. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
P. Tobias



